INDIO QUER SE CONECTAR E ENTRAR NA REDE



Começo esse texto com uma frase bastante usada aqui em Roraima na época de nossa luta pela demarcação da Raposa Serra do Sol “Eles não são mais índios: usam roupas, usam celulares, usam computadores”. Essa entre outras eram maneiras de provocar-nos e de tentar roubar nossa verdadeira identidade de Brasileiros.
Ainda é comum nos dias de hoje alguém questionar um índio sobre o seu modo de vida. Principalmente se este estiver bem vestido e andando de taxi. Mas o ponto crucial deste texto é tratar do apoderamento dos povos indígenas sobre as diversas tecnologias e dela fortalecer e revitalizar sua própria identidade, sua própria cultura.
É observável que nós povos indígenas acompanhamos o evoluir do mundo, embora não com muito exagero como outras populações. Antes usávamos o ralo para fazer a massa de mandioca, hoje usamos um motor a dísel. Antes nosso meio de transporte era a pé, ou de cavalo ou carroça; hoje alguns de nós tem carro traçado, ou fazemos o chamado frete dentro das comunidades. Antes nosso meio de comunicação era o boca-a-boca, e isso demorava dias ou até mês; hoje temos rádio, televisão, telefone e internet.
O fato de alguém se incomodar com as vestes ou seu meio de comunicação de um índio é esquecer que a população não-índia teve o mesmo processo evolutivo como podemos observar também. Em tempos de invasão não há em nenhum livro de história que existia um grande navio e sim caravelas. Não se encontra nos livros falar que Pero Vaz de Caminha passou um e-mail para o rei de portugal falando na nova Terra invadida, ou que alguém registrou a primeira missa no Brasil com uma câmera fotográfica de ultima geração.
Estar incluído nas novas tecnologias não altera em nenhum momento a identidade de nenhum povo, a identidade indígena continua viva e crescendo a cada dia. Identidade étnica não altera com sua profissão, ou com seu meio de comunicação. A identidade indígena está nos traços natos, nos ideais, na natureza está no dia a dia, está com cada um cidadão que faz parte dessa imensa família chamada indígena.

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2 Comentários

  1. Givanildo -  

    Faz algum tempo que comecei a usar o computador; quando eu era criança computador era uma máquina enorme que ficava dentro de uma sala e somente os cientistas eram capazes de utilizar. A sociedade se atualizou muito, vieram novas tecnologia e novos conhecimentos. Hoje eu sempre me pergunto: até que ponto a modernidade é benéfica? Temos que aprender com os povos e nos reinventarmos; temos que descobrir o ponto exato dos nossos limites para não prejudicarmos a nosso própria existencia como seres humanos. Dependemos da terra; assim como a terra depende do nosso cuidado. Enfim… estamos todos “conectados”.

    01, julho 2012, 4:59pm  -  Responder →
  2. Sebastian -  

    Perfeito Alex!
    Tudo é dinâmico…Tudo se inter-relaciona com tudo!
    Os portugueses vinham fedidos, barbudos e cheios de espadas… Hoje chegam no aeroporto com uma apariença bem diferente… E não deixaram de ser portugueses… Se eles vierem com a intensão de enganar e roubar, são do mesmo tipo de portugueses que Cabral… Se eles vierem de coração aberto, sem ma intensões… Tambem nao deixam de ser portugueses…Mas são portugueses bem diferentes a Cabral!
    muita coisa mudou nestes ultimos 500 anos, porem a invasão continua chegando… Hoje são as transnacionais que usam os governos para seu interesse, desrespeitando povos e ameaçando a vida no Planeta!
    Valeu Alex pela partilha de tua bonita reflexão! Grato -

    04, julho 2012, 6:21pm  -  Responder →

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