DO DIA DO ÍNDIO



Quero em primeiro lugar parabenizar a todas as etnias brasileiras, a todas mais ricas e distintas culturas indígenas, responsável pelo mais lindo e rico cenário mosaico cultural do mundo, cultura essa responsável pela homogeneidade de um povo que sobreviveu a um longo e trágico processo histórico de existência, primeiro com a colonização e invasão européia com traços imperiais absolutistas, em seguida a formação de um Estado ditatorial, uma república representativa e uma democracia de classes onde os dirigentes políticos se aliam as oligarquias poderosas mantedores de ideologias preconceituosas de um Estado que tem como seus “heróis” aquele que utilizavam da superioridade do armamento exterminavam e exterminam seres humanos, em que “o sol da liberdade, em raios fugidos” brilhavam no céu de uma Pátria cheia de conflitos e contradições aos verdadeiros donos do território chamado brasileiro. Percebe – se desde então um Estado que sempre apresentou um campo conflituoso com os povos indígenas seja ele colonial imperial ou republicano.

No mês que comeram o nosso dia, vivenciamos um período complexo onde as lutas pela afirmação da identidade étnica e territorial procuraram reafirmar uma cidadania diferenciada, garantida a duras penas, com derramamento de sangue de nossos líderes, estudantes queimados e intelectuais feitos reféns a mando das elites coronelistas ameaçam contrariar o nosso sonho querendo calar a nossa voz com o desejo de manter-nos vivos.

A comunidade indígena do Brasil chegou a nossa vez vamos ensinar a verdadeira civilização aos bárbaros, com a nossa decência cultural e social quebrando paradigmas carregados de estereótipos e chavões pejorativos sobre nosso povo apresentando uma imagem do índio que vive nu, bêbado, maltrapilho e preguiçoso. Como já dizia Claudio Villas – Bôas:

“Se achamos que o nosso objetivo aqui, na nossa rápida passagem pela terra é acumular riquezas, então não temos nada a aprender com os índios. Mas se acreditarmos que o ideal é o equilíbrio do homem dentro da sua própria família, e

dentro de sua comunidade, então os índios têm lições extraordinárias para nos dar.”…. “O mesmo arco que ele faz hoje, seus antepassados faziam há mil anos. Se eles pararam nesse sentido, evoluíram quanto ao comportamento do homem dentro da sociedade. O índio em sua tribo tem um lugar estável e tranquilo. É totalmente livre, sem precisar dar satisfações de seus atos a quem quer que seja. Toda a estabilidade tribal, toda a coesão, está assentada num mundo mítico. Que diferença enorme entre as duas humanidades: uma tranquila, onde o homem é dono de todos os seus atos. Outra, uma sociedade em explosão, onde é preciso um aparato, um sistema repressivo para poder manter a ordem e a paz dentro da sociedade.”

Ao índio trabalhador da roça, da feira, das usinas e carvoarias, aos funcionários em geral, ao professor, ao mestre, ao Doutor, aos intelectuais indígenas e indigenistas que contribui com a nossa luta o nosso muito obrigado.

Somos muito e não estamos sozinhos que o legado histórico de nossos antepassados sirva de base para nossas lutas e fortalecimento como povo exigindo uma república de todos com saúde, educação, terra e com uma política articulada dando o direito à voz daquele que sempre contribuíram com a formação e a soberania nacional seja como “mão-de-obra baratas” ou escravizados nas construções de estradas, pontes ramais telefônicos até mesmos nos conflitos e guerras levando esse país há várias vitórias apenas para exemplificar uma A Guerra do Paraguai em que a conquista ocorreu exclusivamente e unicamente pelos bravos heróis indígenas.

O que seria desse país se não fosse povos indígenas?

VALDEVINO CARDOSO TERENA

PROFº: História, Filosofia e Sociologia

 

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3 Comentários

  1. Leticia Silva -  

    Por favor urgente. Está faltando uma funcionalidade para que nós possamos imprimir os textos para estudo, ou até mesmo para divulgação. Estou conhecendo o site agora e já estou maravilhada com as possibilidades. Infelizmente sabemos que a mídia não está interessada em divulgar esse tipo de estudo e motivar esse tipo de reflexão, mas agora com a internet, pelo menos temos como conseguir que o índio tenha sua voz representada perante a sociedade. Parabéns!

    31, agosto 2012, 12:20am  -  Responder →
    • Marina Cândido Marcos -  

      Obrigada pelo comentário!
      Seja bem vinda ao nosso portal.
      Veremos a funcionalidade de impressão.
      Abraços

      04, setembro 2012, 12:00am  -  Responder →
  2. marcia regina -  

    dia dos indio inperial

    20, novembro 2015, 7:05pm  -  Responder →

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