Mês Indígena



Foto: Renata Machado - Guaranis Mbyá depois de aldeamento incendiado

 

Hoje é fácil observar nas escolas no mês de abril os professores falando de “índio” e até mesmo vestindo seus alunos de indiozinhos, com cocares feitos de papeis, muitas vezes como índigenas norte americanos e não brasileiros, assim é comemorado ainda o dia dos povos indígenas em muitas regiões.

No mês de abril em muitas escolas é lembrado o dia 19 como o dia do índio, data comemorativa que foi criada a partir de um Congresso indigenista interamericano, onde nos primeiros dias, os povos indígenas presentes não participaram temerosos pelos atos de abandono e agressão que vinham sofrendo após muita conversa e discussão os líderes indígenas aceitaram em participar do congresso entendendo assim a importância daquele momento e em 1943 o presidente Getúlio Vargas, criou através do decreto de lei número 5.540 o dia do índio.

Devemos destacar com a lei 11.645 que garante o ensino da Cultura Indígena Brasileira em todas as escolas do ensino fundamental do país, lei essa que dificilmente vemos ser cumprida, várias são as “desculpas” utilizadas para que essa lei não seja cumprida: Falta de materiais, falta de qualificação etc;

Os professores que ainda tentam colocar isso no seu currículo disciplinar, muitos acabam caindo no erro de dizer que os índios moram apenas nas matas, que dormem em ocas, que vivem somente da roça.  Desconhecem muitas vezes as diferenças de etnia para etnia, de comunidade para comunidade.

Ainda vivemos em um país preconceituoso e autoritário, onde negros, pessoas com baixo poder aquisitivo e indígenas sofrem discriminações. Hoje vemos várias noticias diárias que envolvem conflitos com fazendeiros, o governo que não nos da a assistência necessária, vivemos situações como o genocídio dos Guaranis  do estado do Mato Grosso do Sul ou o caso no Xingu com a usina Belo Monte.

Não somos ouvidos muito menos respeitados, mas nesse dia, o dia 19 somos lembrado como os índio que caça, pesca e ainda vive na mata, mas nossa realidade é outra, nossa mata se foi, nossos rios secaram e nossa cação hoje é pela sobrevivência no mundo não indígena nos imposta a 512 anos.
Que nesse mês de abril e no dia 19 a nossa realidade seja mostrada como é realmente, e que não nos pinte como indígenas selvagens e genéricos.

 

Micheli Kaiowá

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