Será que estou lecionando discriminação?



E mais um ano se inicia!

É hora de fazer preparativos para recebimentos de novos alunos, afinal de contas são de bairros ou cidades  variadas, culturas e costumes diversificados. Sabe-se que não é fácil ter que fazer um planejamento de aula sem saber quem ao certo vai receber as informações diárias, tendo a certeza de que tudo que for aplicado de certa forma será para toda a vida e mesmo que não seja captada instantaneamente, o subconsciente nada perdoa, e uma hora cai na lembrança. Daí surge a pergunta: Será que estou (sem perceber) lecionando as matérias que me cabem a administrar anualmente acompanhada de doses de discriminação? Nós como educadores devemos parar para pensar nessa pergunta pelo fato de antes de sermos profissionais da educação, somos todos seres humanos, cheios de defeitos e opiniões próprias! Devemos ter em mente que precisamos nos esforçar para que seja anexado ao caráter do aluno a esperança de haver diálogos  que transmitam respeito a diversidade cultural ao adquirir novos conhecimentos. Temos que ensinar que o Brasil é composto destas diversidades e não simplesmente seguir o que vem nos livros didáticos que se encontram em nosso alcance, que também possuem palavras e figuras discriminatórias. Cabe a nós educadores analisar e reter o que é bom. Já diziam Fernando Haddad e Edson Santos no: PLANO NACIONAL DE IMPLEMENTAÇÃO DAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ETNICORRACIAIS E PARA O ENSINO DE  HISTÓRIA E CULTURA AFROBRASILEIRA E AFRICANA que:

A Lei 10639 e, posteriormente, a Lei 11645, que dá a mesma orientação quanto à temática indígena, não são apenas instrumentos de orientação para o combate à discriminação. São também Leis afirmativas, no sentido de que reconhecem a escola como lugar da formação de cidadãos e afirmam a relevância de a escola promover a necessária valorização das matrizes culturais que fizeram do Brasil o país rico, múltiplo e plural que somos.
O Brasil conta com mais de 53 milhões de estudantes em seus diversos sistemas, níveis e modalidades de ensino. Os desafios da qualidade e da equidade na educação só serão
superados se a escola for um ambiente acolhedor, que reconheça e valorize as diferenças e não as transforme em fatores de desigualdade. Garantir o direito de aprender implica em fazer da escola um lugar em que todos e todas sintam-se valorizados e reconhecidos como sujeitos de direito em sua singularidade e identidade.”

Será que estamos atentando para isso, ou nos recolhemos quando ouvimos algum aluno dizer: PROFESSORA TEM UM ÍNDIO NA SALA? Ou não saberemos responder, o porque que o Taurepang, Makuxi, Pankararu, Kariri, Tupinambá e muitos outros, usam adereços de sementes, palhas (etc) e de outros instrumentos de sua cultura, e não como todos os outros que usam de ouro, prata ou bronze? E porque são chamados de índios ou indígenas, e não por definição de cada aldeia, Etnia ou povo. E o que é mais esquisito, porque o mesmo governo que fez a lei, não se esforça à criar subsídios para ajudar no aprendizado do aluno nas Escolas Públicas Brasileiras, já que há necessidade de materiais que falem e discutam sobre esse tema.

O que estamos ensinando? A discriminação? A mudez diante das frequentes curiosidade sobre a nação indígena? Ou simplesmente deixamos pra lá, já que não faz parte da minha área de ensino! Que este ano façamos a nossa parte e que lutemos para que o amanhã seja melhor do que foi hoje.

E você professor(a) o que pensa sobre esse assunto?

 

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10 Comentários

  1. Cinema e Artes -  

    Agradecemos por todos vcs q estão juntos na luta pela defesa e divulgação dos direitos dos povos indígenas. Viva a Resistência Indígena. Belissimo trabalho. Parabéns!!

    17, janeiro 2012, 1:11pm  -  Responder →
    • Sabrynna -  

      Obrigada! Bom saber que vocês também fazem parte dessa corrente de luta em favor da resistencia dos povos indigenas. Pedimos que compartilhe com amigos, colegas de trabalho, família e etc, assim com certeza alcançaremos nossos objetivos.

      17, janeiro 2012, 3:20pm  -  Responder →
  2. Márcia Cecília Silva -  

    Para quem leciona, esta reflexão deve ser uma prática diária. Afinal de contas, uma sala de aula são em média, 30 seres pensantes muito diferentes um@ d@ outr@: a maneira de interpretar as informações que recebe, o entendimento do conteúdo a ser transmitido em aula, valores, sentimentos, entre diversas outras questões que nos deparamos neste pequeno espaço da sala de aula cheia de seres pensantes. E, apesar d@ professor@ aprender muito mais com @s chamad@s erroneamente de alun@s (do latim, sem luz), é est@ profissional a referência em sala de aula grande parte das vezes, muito responsável na transmissão de conhecimentos e valores. Suas palavras, olhares e atitudes podem tanto contribuir na vida d@s estudantes, ou, como já diz o ditado, um mal professor pode estragar uma geração.

    17, janeiro 2012, 1:53pm  -  Responder →
    • Sabrynna -  

      Concordo plenamente com você Márcia! Temos que despertar o censo crítico social de cada professor para que analise os métodos de ensino e palavras que usam no dia a dia a fim de que a discriminação não apareça como intrusa na sala de aula!
      Peço que divulgue, para que mais pessoas analisem e pensem em uma forma de acabar com a discriminaçãom em sala de aula onde deveriam aprender e não sofrer. Abraços do Índio Educa!

      24, janeiro 2012, 9:47am  -  Responder →
  3. david -  

    Muito bom esse texto, que bom se todos os professores parassem para pensar sobre esse tipo de assunto.

    24, janeiro 2012, 11:44am  -  Responder →
    • Sabrynna -  

      Com certeza David, o mundo começaria a melhorar! Todavia continue fazendo sua parte e ìndio Educa agradece! Saudações indígenas!!!!!

      24, janeiro 2012, 11:54am  -  Responder →
    • Sebastian Gerlic -  

      David: Vc é professor? Podemos solicitar sua ajuda?

      25, janeiro 2012, 9:56am  -  Responder →
  4. Sabrynna -  

    Creio que este é o primeiro dentre vários passos que ainda estão por vir….
    Abraços a todos….

    24, janeiro 2012, 12:05pm  -  Responder →
  5. THAYS -  

    O caminho é esse e também estou dando meus passos rumo a não discriminação em sala de aula! Bjjsssss

    24, janeiro 2012, 12:08pm  -  Responder →
    • Sabrynna -  

      Estamos com voce Thays!!!
      Saudações Indígenas…..

      24, janeiro 2012, 12:10pm  -  Responder →

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